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Caderno de escrevivências - confluências narrativas

Atualizado: 17 de mar.

Luce Diogo em apresentação no ÒYE
Luce Diogo em apresentação no ÒYE

Ao longo de três dias, Luce Diogo, integrante da coletiva Aya Narrativas, participou do Òye: Conexão e Educação no Terreiro Mundo. As experiências, as trocas e os encontros produziram deslocamentos e afetos nos modos de produzir a sua pesquisa de doutorado, intitulada "Escrevivências antirracistas e decoloniais: movimentos formativos para e com gestoras escolares".


Além de fruir os saberes de mestras e mestres de diferentes territórios, Luce confluiu modos de germinar pesquisas, práticas e conhecimentos com mulheres que atuam na fronteira entre o campo acadêmico e outros espaços de pesquisa e formação. Foi um tempo de escuta profunda, encruzilhadas potentes e reafirmação da importância de narrativas que brotam do corpo, da experiência e da ancestralidade.


A pesquisadora e professora de sociologia Oyèrónké Oyěwùmí na conferência de abertura Òye no Terreiro-Mundo: Escuta Ancestral contra o Colonialismo Epistemológico*
A pesquisadora e professora de sociologia Oyèrónké Oyěwùmí na conferência de abertura Òye no Terreiro-Mundo: Escuta Ancestral contra o Colonialismo Epistemológico*

Selecionada pela curadoria do "Tempo Espiralar IV | No chão da Escola: o educar como território de luta e cuidado", Luce apresentou o trabalho 'Caderno de escrevivências - confluências narrativas' no dia 12 de março na USP (Universidade de São Paulo).


A participação no ÒYE aprofundou o compromisso com uma pesquisa feita em movimento e em conexão com quem constrói outras possibilidades de formação. Esse percurso reafirma a importância de uma educação que reconhece, valoriza e celebra a diferença.


Denise Col, também integrante da coletiva Aya narrativaS, acompanhou o evento e esteve com as mediadoras de leitura Day Silva e Julia Schmidt apresentando o trabalho 'Mediação De Leitura Sem Moral da História - Rabiscando o Chão da Escola com Letras de Carvão' no "Tempo Espiralar IV". Leia a reportagem completa clicando aqui.

Òye: Conexão e Educação no Terreiro-Mundo

Os encontros do ÒYE acontecerem durante três dias em São Paulo/SP, articulando universidade, territórios, arte, ancestralidade e produção intelectual negra, reunindo pesquisadoras(es), lideranças africanas e brasileiras, artistas e movimentos sociais para pensar educação, mobilidade acadêmica e justiça epistêmica.


Conferências internacionais, giras de conversa, fórum, intervenções culturais e celebrações coletivas formaram essa experiência que conectou Brasil, África e diásporas.


*Oyèrónke Oyewùmí é uma pesquisadora nigeriana e professora titular de sociologia na Universidade Stony Brook. Nascida em 10 de novembro de 1957, ela é conhecida pela sua crítica ao feminismo ocidental e por sua análise da sociedade iorubá, propondo o oxunismo como uma alternativa para superar os papéis de gênero coloniais. Formada pela Universidade de Ibadan e pela Universidade da Califórnia em Berkeley, Oyewùmí destaca que, na sociedade iorubá pré-colonial, o gênero não era o princípio organizativo das relações sociais, mas sim a idade cronológica relativa. Seu trabalho pioneiro enfatiza que os conceitos ocidentais de sexo e gênero são inadequados para interpretar a realidade social iorubá, propondo uma visão pós-colonial e culturalmente específica do estudo do gênero.


Para a conferência de abertura "Òye no Terreiro-Mundo: Escuta Ancestral contra o Colonialismo Epistemológico", Oyèrónké Oyěwùmí trouxe o convite à escuta ética do vento africano, desmontando a "bio-lógica" ocidental que inventou gênero e hierarquias corporais na África pré-colonial. Partindo da cosmologia iorubá — onde senioridade e linhagem superam diferenças biológicas —, propês o Terreiro-Mundo como gesto de reconexão: um chão sensorial onde saberes negros tecem educação, território e presença coletiva, ecoando a erudição silenciada pelo branqueamento histórico. Uma provocação para reinventar o devir negro em espirais de liberdade.




 
 
 

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